Um texto (ou conto? ou crônica?) escrito em pedaços, há uns quatro anos, que editei e fiz uma capa :)











Se tudo é preto, tudo é preto. Se ela tem livros, são separados por sobrenome de autor. Se ela tem roupas, são separadas por cores. Uma grande prova é seu skoob. Ela é um grande sistema de organização ambulante. Lucy tem 20 anos e é sistemática.

Mike. Mike. Mike. Mike. Mike. Oh, Mike. Uma utilização não autorizada do ser. Lucy só queria superar Katherine, mas acabou se apaixonando. Trocou o estar-sofrendo pelo estar-gostando. Usou Mike indevidamente por tanto tempo que agora acabou tornando seus sentimentos reais. E ele nem sabe disso. Agora Lucy tem medo. Medo de perder Mike. Medo de perder a amizade de Mike. Medo de ser deixada de lado, esquecida, excluída, sozinha, com seus demônios. Com Mike, ela se sente segura, se sente em casa, se perdê-lo sabe que pode nunca mais se sentir assim, por um bom tempo. Mas Lucy também tem ciúme. Um ciúme que não deveria ter, afinal são apenas amigos, mas Lucy simplesmente pegou antipatia de Anne pelas brincadeiras que Mike faz com a mesma. Como se ele fosse dela e de mais ninguém. Ela não esqueceu as brincadeiras que ele já fez com ela, as palavras ditas inconscientemente, ou não, em seus momentos juntos, aqueles em que estavam a sós rindo do mundo lá fora, como se não existisse mais nada além deles e o céu. 

Mas tudo isso se passou na cabeça de Lucy.

Tantos nomes, tantas histórias, histórias cruzadas, vividas, no final esquecidas, mas sempre assistidas pela mesma garota. Lucy ainda tem 20 anos.

“Mike? Meus dedos estão escorregando.
Não vou te soltar.
Mas você tem que ir.
Hm.
Não me deixe cair.”

A cor da dor é a mesma do sangue que escorre entre suas pernas. Filosofia de vida, refletindo sobre tudo, pensando sobre nada. Escrevendo aleatoriamente só para ter o que escrever. Sobre cólica, sobre a vida, sobre tudo. 

“Eu sinto sua falta, mais que tudo na vida.
Eu não gosto de você, ninguém pode me julgar por isso.
Peso o preço de um livro para jovens-adultos.
Um vento forte? Vou para o céu.
Uma tempestade? Já não estou aqui.
A capa de chuva amarela? Maldita capa.
Quem era aquela que estava com você? Não estou com ciúme.”

Com a chuva que caía na rua Lucy foi seguindo a brisa do amanhã esperando que alguém a encontrasse, molhada, e sem a tal capa amarela.

Quando Lucy se isolava do mundo, ninguém conseguia encontrá-la. Agora sem Mike ou Katherine, Lucy recorre à Andy. Lucy está... quebrada. Mais uma briga com Katherine, ela não aguenta mais. Quando elas se tornaram pessoas tão diferentes? Talvez fossem assim desde o começo. Agora, Mike está longe. Sua única base aparentemente sólida, se sucumbiu. O único lugar em que ela se sentia em casa, foi queimado e largado ao vento. Lucy está caindo aos pedaços e logo alcançará o chão. Não será uma cena bonita. Lucy tem 20 anos e está com saudade de casa.

“Estive pensando
Por que, oh, vida?
Por que você é assim?
Não, não estou reclamando!
As coisas estão se movimentando
E a cada movimento
Tudo dará certo...

um anjo me disse”

Uma vez, uma história, uma garota com a capa de chuva amarela, presa em uma tempestade de palavras.

Desejando a fuga. 

A explosão. 

A conclusão.

A vida inteira pela frente...

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