Desculpa começar assim, mas essa é a verdade.

Quando a gente tem 18 anos, ou quando estamos no ensino médio em geral, podemos até ter uma ideia do que gostamos e queremos pro futuro, mas na maioria dos casos, essa vontade sofre uma mutação e de repente você que queria ser astrônoma descobre que essa faculdade não existe na sua cidade, ou percebe que é de humanas. Ou você que queria fazer veterinária descobre que precisa enfiar a mão na vaca ou simplesmente não gosta de sangue.

E vai parar numa licenciatura. Em uma licenciatura em artes visuais. Mas não foi do nada.

Você com 18 anos já estava de saco cheio das suas tias dizendo que prima X entrou em odonto, prima Y em nutrição, daí você tira um empréstimo do além pra se matricular em psicologia só pra calar a boquinha™ de todo mundo.

Você fica um mês, curte muito o curso, mas não é aquilo que você vai fazer pro resto da vida, e spoiler: provavelmente você não vai fazer nada pelo resto da vida. E tá tudo bem.

agora fecha a porta e vamos conversar

Eu passei por tudo isso daí. No meio do caminho quase entrei em letras e jornalismo, fiz um curso de fotografia e fui parar em artes por falta de opção mesmo. Já que eu não podia fazer audiovisual, cinema, e simplesmente não conseguia me enxergar no curso de jornalismo como um todo, pela abrangência da licenciatura eu me matriculei, e não vou dizer que foi só amores. Todos os dias eu continuo me questionando se era isso mesmo que eu deveria estar fazendo, mesmo com 1 ano e meio de faculdade que se passaram, e que faltam pra terminar.

No meio do caminho eu vi que dar aula nunca foi meu foco, mas que eu gosto. Mas que não preciso fazer só isso e nem quero. No meio do caminho voltei a fotografar, estudei cinema, conheci amigas que querem fazer um filme e que foi uma coisa que eu sempre quis fazer, mas parecia fantasia perto da odonto ou da nutrição.

Não importa quantas voltas você dê, o que vai permanecer é a sua essência, seja com 18, 24 ou 70 anos, um dia você vai perceber que não queria fazer nada daquilo e vai recomeçar, vai lutar pelo que você ama de verdade, e mesmo que você encontre esse amor, com o tempo ele pode acabar mudando também, se diluindo, virando outra coisa.

E tudo bem.

Hoje eu falo que sou fotógrafa, mas se pudesse definir meu sonho de carreira desde sempre seria contadora de histórias. Pra mim não importam os meios, só preciso contar, e com o tempo esses meios vão mudando e se mesclando, e alguns vão sendo deixados pra trás.

Um dia vou chegar lá, sabendo que esse "lá" um dia vai mudar.

Esta postagem faz parte da Blogagem Coletiva de julho do Together, um projeto para unir a blogosfera! 
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