Eu sou analógica. É isso que sinto com minha Nikon D60 sem vontade nenhuma de trocar. E ao mesmo tempo mergulho aos poucos nas águas do fotojornalismo, onde, em um mundo supra conectado ser analógico não importa. Ser analógico é ser atrasado.

Não tenho formação alguma para me intitular fotojornalista, mas mesmo que tivesse, não quero ser jornalista de manchete. Não quero fotos imediatas que se perderão no tempo e no meio das outras tantas no feed, ainda quero transmitir sentimento com o que estou clicando. Quero olhar para uma foto de passeata como olho para os retratos que faço.

Talvez por isso não queira uma câmera com wi-fi. Ou fotografar na tela. Sou uma jovem imersa na vanguarda. Fotografar sem minha pegada, não sou eu fotografando, parece que estou recomeçando. Parece que não tem amor. Ou só tem amor.

Não quero que me olhem e me julguem pela marca como eu mesma faço com os outros. Todos os canons. Não quero ser a Nikon. A fotógrafa da faixa do arco-íris serve. Da alça de cetim colorida.

A analógica. Eu já sou conectada demais em outros termos. A louca que fotografou debaixo de uma tempestade sem proteção nenhuma pro equipamento, só com a força do pensamento. E deu certo. Continua dando certo. Ainda quero muito minha lente 35mm que vai virar cinquenta nessa crop, mas o corpo mesmo, sinceramente, só troco quando pifar. Nem que seja daqui 60 anos.

Deixe um comentário